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Uso Antissocial das Redes Sociais e a Monetização do Privado

 

Fonte: Penn State

É preciso discutir e legislar urgentemente sobre o uso antissocial e criminoso das redes sociais, que não são sociais, e a monetização perversa do privado e publicitária, que incentiva a pornografia, o discurso do ódio, polarização e o negacionismo. Há muito criticadas como sendo produtoras de idiotas, chegou o momento de puni-las.

Por conta deste ambiente tecnológico nocivo estas redes, erroneamente chamadas de mídias ou redes sociais, já deveriam estar sendo punidas por ações criminosas que atingem todos nós, principalmente os adolescentes que sofrem consequências gravíssimas em termos de doenças mentais, depressão e suicídios. A desgraça já foi feita.

Recente relatório da UNICEF comenta sobre as preocupações do uso viciante dos smartphones na infância e adolescência, além da exposição de crianças à pornografia. Isto  nos leva realmente a pensar numa desconexão. Aliás, na situação em que estamos, a desconexão deve atingir todas as idades e não apenas os adolescentes, como foi proposto a semana passada no Canada para menores de 16 anos.

Outros países já aprovaram propostas similares a do Canadá, a exemplo da Austrália, China, Dinamarca, França, Reino Unido,  Alemanha, Itália entre outros países da Europa e Ásia. No Brasil, também na semana passada, o Supremo Tribunal Federal  (STF) adiou por mais  60 dias a definição de decisão sobre o tema.

Pelo que já aconteceu, o tempo de contemporizar já passou. Já foi evidenciado na Europa que os dirigentes das Big Techs inicialmente foram indiferentes a qualquer regulamentação contra elas e agora começam fazendo ameaças e oposição. Não precisamos destas bugigangas tecnológicas desenvolvidas e desenhadas para a sociedade, cujo propósito é o lucro ganancioso. Precisamos, sim, de tecnologias desenvolvidas e desenhadas com a sociedade, voltadas para o bem-estar e segurança da humanidade.

O mesmo acontece em relação às crianças e adolescentes. Não precisamos de uma tecnologia desenhada para eles e sim de uma tecnologia desenhada com eles, visando o desenvolvimento e bem-estar humano. Chega de lucros demasiados, sujeição humana e ações criminosas em nossa sociedade.   

Ora, se o crime é praticado pelas empresas de tecnologias, por que os adolescentes devem pagar por isto? No caso da indústria de tabaco, são elas que pagam pelas ofensas causadas aos consumidores. O mesmo deve ser aplicado às corporações de tecnologia.

Uma outra questão que deve ser analisada é sobre a responsabilidade dos governantes de não se preocuparem com as necessidades sociais da população, com as devidas políticas públicas, sobretudo no campo da educação, que deve incentivar o contato social e humano entre as pessoas, hoje destruindo na sociedade.  Hoje não existe mais o contato e olhar face a face, mas as pessoas levam horas e horas presas às telas dos celulares.

Portanto, o social do contato humano deu lugar ao “social” das redes sociais, que fortalece o distanciamento e o antissocial. Temos que reverter esta situação, que pode acontecer com iniciativas apropriadas na educação, psicologia e outros campos da educação humana.

Assim sendo, diante do poderio das Big Tech e Techbros é preciso discutir algumas preocupações no momento, que poderão impedir a criação de uma legislação que possa punir estas corporações por ações criminosas que atingem todos nós.

Preocupação Primeira - captura de parlamentares e membros dos poderes que continuam adiando a regulação destas tecnologias. Sabe-se que estamos vivenciando a inteligência artificial, cujo propósito é intensificar a sujeição humana, num mundo severamente castigado pelas desigualdades sociais.

Preocupação Segunda - rejeição e indiferença das Big Tech às legislações já aprovadas na União Europeia. Segundo a vice-presidente da União Europeia, Viviane Redin, apesar de acordos e compromissos não foi possível obter resultado prático.

Preocupação Terceira – Estamos vendo a democracia ameaçada no mundo, com os planos do mercado financeiro e Big Techs, cujo propósito é criar  uma nova ordem e/ou desordem mundial em que seremos, como já foi dito, servos digitais.

Já foi dito que se a tecnologia não for projetada para os mais vulneráveis, ela falha com todos nós, razão pela qual Tribunais nos Estados Tribunais estão condenando provedores de plataformas por não protegerem crianças e o debate sobre restrições de idade nas redes sociais ganha força.

Pesquisadores da área de Interação Humana Computacional (IHC) reconhece a necessidade de mudanças no desenho de uma tecnologia centrada em crianças, visado privacidade e segurança, que requer o engajamento delas. Isto é mais complexo, mas já foi feito. O problema é que exige mais tempo, recursos, mais conhecimento  e discernimento ético, mais difícil de fazer do que simplesmente obter visões impostas por adultos.

Um grupo internacional de 40 especialistas da academia, organizações de direitos da criança e instituições sem fins lucrativos nas áreas de ciências sociais, tecnologia, design, psicologia e direito está convencido de que proibições seriam a abordagem errada.

Vamos defender o engajamento de nossas crianças e adolescentes no desenvolvimento e desenho de tecnologias que respeitem a privacidade e segurança deles, tornando-os livres cada vez mais como cidadãos e não como súditos rejeitados pela ganância.


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